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Tribunal de Justiça do RS sofre ataque cibernético e prazos processuais são suspensos

Diego Camargo

Diego Camargo

O Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul confirmou ter sido vítima de um ataque hacker que deixou seus sistemas indisponíveis, em nota postada no seu perfil no Instagram na noite da quarta-feira, 28.

“Estão sendo adotadas todas as medidas possíveis para o breve restabelecimento da normalidade, bem como para a identificação das causas e dos autores do ato criminoso”, aponta o texto.

A queda nos sistemas do TJ-RS aconteceu na manhã da quarta-feira.

Em sua primeira manifestação sobre o assunto, o TJ-RS falou apenas em “instabilidade nos sistemas de informática”.

O tribunal também confirmou que a sua equipe de segurança de sistemas orientou os usuários internos a não acessarem os computadores de forma remota, nem se logar nos computadores dentro da rede do TJ-RS, como medida preventiva contra o roubo de senhas.

Em comunicados posteriores, o TJ-RS decretou a suspensão dos prazos nos processos físicos e eletrônicos. Não há prazo para o restabelecimento dos sistemas.

O Ethemis, sistema de processo eletrônico usado em algumas varas do TJ-RS, assim como o SEEU, o sistema usado para analisar os pedidos dos réus presos e o SEI, voltado para processos administrativos internos do TJ, estão todos operando (só não podem ser acessados, por enquanto).

Serviços como o software de processo eletrônico Eproc,  desenvolvido pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região e adotado pelo TJ-RS em 2017, seguem disponíveis, mas também não podem ser acessados.

Segundo o Baguete pode averiguar com fontes do judiciário, funcionários nos Fóruns levaram uma surpresa na manhã de quarta, ao não conseguirem nem ligar seus computadores, que não reconheceriam o sistema operacional e pediriam um disco de boot.

A especulação dentro do TJ-RS é que se trata de um ataque de ransomware, no qual hackers bloqueiam acesso aos sistemas para cobrar um resgate.

Caso confirmado, este seria o segundo ataque ao TJ-RS em poucos meses. Em novembro, o hotsite informativo do Eproc do TJ-RS foi adulterado por hackers.

Na época, o tribunal garantiu que não houveram danos aos sistemas. Um hacker postou uma foto fazendo um gesto obsceno no site, que esteve fora do ar por cerca de uma hora.

Também em novembro de 2020, hackers atacaram e cripografaram mais de 1,2 mil máquinas virtuais do Superior Tribunal de Justiça, além de destruir seus backups, com um ransomware chamado RansomEXX. Esse ataque parece ter mais pontos em comum com a atual situação do TJ-RS.

Caso seja mesmo um ataque de ransomware, o sistema judicial gaúcho pode se preparar para dias difíceis.

A correção do problema no STJ durou mais de uma semana, envolvendo equipes do STJ, Microsoft, Atos e Serpro.

Fonte: www.baguete.com.br