Uma investigação da Polícia Civil concluiu que 20 pessoas desviaram R$ 3 milhões em doações destinadas à Organização Não-Governamental (ONG) Casa Maria, que ajuda pessoas com câncer em Santa Maria, na Região Central do estado.
Um casal que atuava como gestor da instituição, a filha deles e uma assistente social foram indiciados por estelionato, apropriação indébita, furto, falsidade ideológica e associação criminosa. Outras 16 pessoas, que arrecadavam as doações, foram indiciadas por apropriação indébita.
“As investigações demonstraram que o casal que fazia a administração da ONG tinha um padrão de vida incompatível com a renda que tinha. Houve contratação fraudulenta de familiares, pagamento de contas pessoais com o dinheiro de doações, plano de saúde, locação de carros para uso pessoal e viagens de férias“, relata o delegado Sandro Meinerz, responsável pela investigação.
A polícia reuniu provas que indicam que a filha do casal havia sido contratada, com carteira assinada, para atuar na ONG, mas era proprietária de uma loja em um shopping, local em que trabalhava. As pessoas que arrecadavam as doações eram comissionadas a partir do quanto conseguiam angariar.
“Havia mensageiros [responsáveis por ir até a casa das pessoas pedir doações] em várias cidades. A ONG contava com um sistema forte de telemarketing. É triste porque o objetivo era ajudar pessoas em tratamento oncológico. Chegavam a usar imagens de pessoas fragilizadas para conseguir doações”, conta o delegado Meinerz.
Meinerz ainda conta que, ao longo das ações policiais, objetos adquiridos pela ONG foram apreendidos nas casas do casal, da filha e da assistente social. Em notas fiscais de compras em supermercados, constavam produtos que não eram consumidos no local, como salmão, picanha, filé mignon e bacalhau.
O total do prejuízo estimado pela Polícia Civil dá conta de valores que foram desviados entre 2017 e 2020, ano em que houve o afastamento dos gestores e a Justiça nomeou uma interventora para manter a ONG em atividade.
A investigação
A Polícia Civil começou a investigar o caso depois que recebeu uma denúncia anônima, em 2019.
A investigação conseguiu demonstrar que existia uma divergência financeira entre o registrado nos controles de gestão da ONG com o registrado na contabilidade, o que sugeria o desvio do dinheiro.
Diante disso, entre 2017 e 2020, gestores, funcionários e membros das diretorias foram afastados; houve bloqueio e sequestro de bens móveis e imóveis; quebras de sigilos, e cumprimento de mandados de busca e apreensão.
Fonte: g1 RS │ Foto: Polícia Civil
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Polícia Civil desarticula associação criminosa que desviava recursos de entidades públicas do RS

A Polícia Civil, por meio da 1ª Delegacia de Combate à Corrupção (1ªDECOR), da Divisão Estadual de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (DCCOR) do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), deflagrou nesta terça-feira (12) a Operação Firenze, com o objetivo de desarticular associação criminosa que desviava recursos de entidades públicas do Estado do Rio Grande do Sul.
Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em Porto Alegre e em Novo Hamburgo. Também foi cumprida ordem judicial de busca e apreensão nas dependências da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.
Segundo o delegado Max Otto Ritter, funcionários de uma ONG se utilizavam de termos de parcerias firmados com o Poder Público para o desvio de parte dos valores recebidos e que deveriam ser destinados a fins sociais, vinculados à Fundação de Atendimento Sócio-Educativo – FASE, utilizando-os em proveito próprio e alheio.
Desse modo, a partir das informações advindas da Controladoria e Auditoria-Geral do Estado do RS, assim como do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul, verificou-se que os possíveis desvios de recursos aconteciam desde o ano de 2018, gerando prejuízo ao Erário Estadual, no caso concreto das presentes investigações, de aproximadamente 368 mil reais, em valores nominais.
Conforme o delegado Marcus Viafore, as buscas tiveram por objetivo a apreensão de documentos e demais objetos de interesse às investigações, a fim de identificar a responsabilidade de todos os envolvidos. Computadores, mídias e comprovantes de depósito também foram apreendidos durante a ação.
Créditos: PC RS





















































