A Polícia Federal (PF) abriu investigação para apurar a divulgação de vídeos que simulam agressões contra mulheres publicados nas redes sociais. O caso veio à tona após uma notícia-crime apresentada pela Procuradoria Nacional de Defesa da Democracia, órgão ligado à Advocacia-Geral da União (AGU).
As imagens, publicadas no TikTok e posteriormente removidas da plataforma, mostram jovens simulando chutes, socos e golpes de faca em manequins que representam mulheres.
Em um dos vídeos, aparece a frase: “Treinando caso ela diga não”, sugerindo violência após recusas em situações como relacionamentos, beijos ou pedidos de casamento.
Investigação identifica perfis responsáveis
De acordo com a AGU, o pedido encaminhado à Polícia Federal identificou ao menos quatro perfis responsáveis pela publicação do conteúdo.
Para o procurador nacional da União de Defesa da Democracia, Raphael Ramos, as publicações representam apologia à violência de gênero e podem comprometer políticas públicas voltadas à proteção das mulheres.
Segundo ele, mesmo sem uma vítima específica, o conteúdo atinge toda a coletividade feminina, ao estimular práticas violentas e normalizar agressões.
Conteúdo pode configurar crimes
A Procuradoria aponta que os vídeos podem se enquadrar em diversos crimes previstos no Código Penal, entre eles:
– incitação ao crime
– apologia de crime ou criminoso
– lesão corporal
– ameaça
– perseguição
– violência psicológica contra a mulher
– intimidação sistemática (inclusive virtual)
– Também há avaliação de possível relação com crimes ligados à violência de gênero e feminicídio.
Caso ocorre em meio ao aumento de feminicídios
O documento enviado à PF cita dados do Relatório Anual de Feminicídios no Brasil 2025, que aponta 6,9 mil casos consumados e tentados no país, número 34% maior que no ano anterior.
A investigação também integra as ações do Pacto Brasil para enfrentamento do feminicídio, acordo firmado entre os três poderes para ampliar o combate à violência contra mulheres, incluindo conteúdos violentos no ambiente digital.
Fonte Agora No Vale



















































