PF investiga vídeos que simulam agressões a mulheres nas redes sociais

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Diego Camargo

A Polícia Federal (PF) abriu investigação para apurar a divulgação de vídeos que simulam agressões contra mulheres publicados nas redes sociais. O caso veio à tona após uma notícia-crime apresentada pela Procuradoria Nacional de Defesa da Democracia, órgão ligado à Advocacia-Geral da União (AGU).

As imagens, publicadas no TikTok e posteriormente removidas da plataforma, mostram jovens simulando chutes, socos e golpes de faca em manequins que representam mulheres.

Em um dos vídeos, aparece a frase: “Treinando caso ela diga não”, sugerindo violência após recusas em situações como relacionamentos, beijos ou pedidos de casamento.

Investigação identifica perfis responsáveis
De acordo com a AGU, o pedido encaminhado à Polícia Federal identificou ao menos quatro perfis responsáveis pela publicação do conteúdo.

Para o procurador nacional da União de Defesa da Democracia, Raphael Ramos, as publicações representam apologia à violência de gênero e podem comprometer políticas públicas voltadas à proteção das mulheres.

Segundo ele, mesmo sem uma vítima específica, o conteúdo atinge toda a coletividade feminina, ao estimular práticas violentas e normalizar agressões.

Conteúdo pode configurar crimes
A Procuradoria aponta que os vídeos podem se enquadrar em diversos crimes previstos no Código Penal, entre eles:

– incitação ao crime
– apologia de crime ou criminoso
– lesão corporal
– ameaça
– perseguição
– violência psicológica contra a mulher
– intimidação sistemática (inclusive virtual)
– Também há avaliação de possível relação com crimes ligados à violência de gênero e feminicídio.

Caso ocorre em meio ao aumento de feminicídios
O documento enviado à PF cita dados do Relatório Anual de Feminicídios no Brasil 2025, que aponta 6,9 mil casos consumados e tentados no país, número 34% maior que no ano anterior.

A investigação também integra as ações do Pacto Brasil para enfrentamento do feminicídio, acordo firmado entre os três poderes para ampliar o combate à violência contra mulheres, incluindo conteúdos violentos no ambiente digital.

 

Fonte Agora No Vale