OAB de Getúlio Vargas realiza ação contra o golpe do falso advogado

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Diego Camargo

A OAB subseção Getúlio Vargas, em conjunto com a Polícia Civil, realizou na manhã desta quinta-feira, 16, uma coletiva de imprensa para alertar a população sobre o avanço do chamado “golpe do falso advogado”, que vem fazendo vítimas em todo o país. A equipe de reportagem do Portal Tchê acompanhou a ação.

Participaram da coletiva a presidente da OAB de Getúlio Vargas, Mariana Martinelli, o delegado da Polícia Civil Jorge Fracaro Pierezan e a secretária-geral da subseção, Latícia Miotto Gallina, que reforçaram os alertas e orientações à comunidade.

Como funciona o golpe

Os golpistas entram em contato com vítimas que possuem processos judiciais em andamento — especialmente ações de indenização — e se passam pelos advogados responsáveis.

Para dar credibilidade, utilizam fotos reais de advogados retiradas da internet, dados verdadeiros de processos judiciais e linguagem técnica convincente.

Em muitos casos, os criminosos afirmam que a vítima tem valores a receber, mas que é necessário “pagar taxas” para liberação do dinheiro. A exigência é quase sempre feita via Pix, com urgência, para evitar que a pessoa “perca o prazo”.

Segundo as autoridades, os golpistas estão indo além de simples mensagens. Já há registros de áudios manipulados com inteligência artificial imitando a voz de advogados, o que aumenta o poder de convencimento e dificulta a identificação imediata da fraude.

Quem está por trás

As investigações apontam que muitos desses crimes são praticados por pessoas já presas, que operam de dentro de presídios. Para dificultar o rastreamento, utilizam números de telefone registrados em nome de terceiros (“laranjas”) e contas bancárias também vinculadas a terceiros, criando uma cadeia que complica a identificação dos responsáveis.

Períodos de maior incidência

Outro ponto destacado é que os golpes tendem a se intensificar em datas específicas, como feriados prolongados e datas comemorativas.

Nesses períodos, a movimentação financeira é maior e a atenção das pessoas costuma estar reduzida, o que favorece a ação dos criminosos.

Prejuízo quase irreversível

Um dos alertas mais importantes feitos pelas autoridades é que, na maioria dos casos, é praticamente impossível recuperar o dinheiro transferido após o golpe. A rapidez das transações via Pix e o uso de contas intermediárias dificultam o bloqueio dos valores.

A orientação é que nunca realize pagamentos solicitados por telefone ou mensagem, desconfie de contatos que envolvam urgência ou pressão psicológica e sempre confirme qualquer informação diretamente com seu advogado, usando canais oficiais já conhecidos.

A recomendação final das autoridades é simples: se o contato não partiu de você e envolve dinheiro, pare e verifique antes de agir.

Reportagem e fotos: Diego Camargo/Portal Tchê