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Ivermectina: Saiba para que serve o medicamento

Diego Camargo

Diego Camargo

A ivermectina é um remédio antiparasitário capaz de paralisar e promover a eliminação de vários parasitas, sendo principalmente indicado pelo médico no tratamento da oncocercose, elefantíase, pediculose, ascaridíase e escabiose.

Esse remédio é indicado para adultos e crianças com mais de 5 anos e pode ser encontrado em farmácias, sendo importante consultar o médico quanto ao seu uso, pois a dose pode variar de acordo com o agente infeccioso a ser tratado e o peso da pessoa afetada.

Para que serve

A ivermectina é um medicamento antiparasitário muito indicado no tratamento de diversas doenças, como por exemplo:

  • Estrongiloidíase intestinal;
  • Filariose, popularmente conhecida como elefantíase;
  • Escabiose, também chamada de sarna;
  • Ascaridíase, que é a infecção pelo parasita Ascaris lumbricoides;
  • Pediculose, que é a infestação por piolhos;
  • Oncocercose, popularmente conhecida como “cegueira dos rios”.

É importante que o uso da ivermectina seja feito de acordo com a orientação do médico, pois assim é possível prevenir o aparecimento de efeitos colaterais como diarreia, cansaço, dor de barriga, perda de peso, prisão de ventre e vômitos. Em alguns casos, também podem surgir tonturas, sonolência, vertigens, tremores e urticária na pele.

Como usar

O uso da ivermectina deve ser feito de acordo com a orientação do médico, sendo normalmente recomendado tomar o medicamento em jejum, uma hora antes da primeira refeição do dia. A ivermectina normalmente é usada em dose única e a quantidade de comprimidos pode variar de acordo com o peso da pessoa e doença a ser tratada.

De forma geral, os antiparasitários podem ser usados uma vez a cada 6 meses, uma vez que o uso frequente desse tipo de medicamento, principalmente quando em intervalos curtos, pode aumentar o risco de efeitos adversos e do desenvolvimento de hepatite medicamentosa, por exemplo.

1. Estrongiloidíase, filariose, piolhos e sarna

Para tratar a estrongiloidíase, filariose, infestação por piolhos ou sarna, a dose recomendada deve ser ajustada ao peso, da seguinte forma:

Peso (em kg) Número de comprimidos (6 mg)
15 a 24 ½ comprimido
25 a 35 1 comprimido
36 a 50 1 ½ comprimido
51 a 65 2 comprimidos
66 a 79 2 ½ comprimidos
mais de 80 200 mcg por kg

2. Oncocercose

Para tratar a oncocercose, a dose recomendada, em função do peso é a seguinte:

Peso (em kg) Número de comprimidos (6 mg)
15 a 25 ½ comprimido
26 a 44 1 comprimido
45 a 64 1 ½ comprimido
65 a 84 2 comprimidos
mais de 85 150 mcg por kg
Possíveis efeitos colaterais

Alguns dos efeitos colaterais mais comuns que podem ocorrer durante o tratamento com ivermectina são diarreia, náusea, vômitos, fraqueza e falta de energia generalizada, dor abdominal, perda do apetite ou prisão de ventre. Geralmente, essas reações são leves e transitórias.

Ivermectina pode causar hepatite medicamentosa?

Embora a bula do medicamento não refira efeitos colaterais graves relacionados a problemas no fígado, como é o caso da hepatite medicamentosa, é conhecido que este remédio pode aumentar a presença de enzimas hepáticas em exames de sangue.

Além disso, este medicamento está indicado apenas em casos agudos, para tratamento de curto prazo, não tendo sido estudados seus efeitos no corpo em doses superiores às recomendadas ou por longos períodos.

Assim, é possível que o uso prolongado, muito frequente ou em doses superiores às indicadas, possa causar problemas no fígado, incluindo hepatite medicamentosa. O ideal é sempre fazer uso da ivermectina sob orientação de um médico.

Quem não deve tomar

Este remédio está contraindicado para grávidas, mulheres que estejam amamentando, crianças com menos de 5 anos ou 15 kg e pacientes com meningite ou asma. Além disso, também não deve ser usado em pessoas com hipersensibilidade à ivermectina ou qualquer outro dos componentes presentes na fórmula.

Ivermectina e COVID-19

O uso da ivermectina contra a COVID-19 tem sido amplamente discutido na comunidade científica, isso porque esse antiparasitário possui ação antiviral contra o vírus responsável pela febre amarela, ZIKA e dengue e, por isso, se supôs que teria também efeito contra o SARS-CoV-2.

No tratamento da COVID-19

A ivermectina foi testada por investigadores na Austrália, numa cultura de células in vitro, que demonstraram que esta substância é eficaz na eliminação do vírus SARS-CoV-2, em apenas 48 horas. Porém, estes resultados não foram suficientes para comprovar a sua eficácia em humanos, sendo necessários ensaios clínicos para verificar a sua real eficácia in vivo, e determinar ainda se a dose terapêutica é segura em humanos.

Um estudo realizado com pacientes hospitalizados em Bangladesh teve como objetivo verificar se o uso de ivermectina seria seguro para esses pacientes e haveria algum efeito contra o SARS-CoV-2. Assim, esses pacientes foram submetidos a um protocolo de tratamento de 5 dias apenas com ivermectina (12 mg) ou dose única de ivermectina (12 mg) em combinação com outros medicamentos por 4 dias, e o resultado foi comparado com o grupo placebo constituído por 72 pacientes. Como resultado, os pesquisadores verificaram que o uso de apenas ivermectina foi seguro e que foi eficaz no tratamento de COVID-19 leve em pacientes adultos, no entanto mais estudos seriam necessários para confirmar esses resultados.

Um outro estudo realizado na Índia teve como objetivo verificar se o uso de ivermectina por via inalatória teria efeito anti-inflamatório contra a COVID-19, já que esse medicamento tem potencial de interferir no transporte de uma estrutura do SARS-CoV-2 para o núcleo das células humanas, resultando no efeito antiviral. No entanto, esse efeito só seria possível com doses elevadas de ivermectina (dose superior à recomendada para o tratamento das parasitoses), o que poderia resultar em efeitos de toxicidade hepática. Assim, como alternativa às elevadas doses de ivermectina, os pesquisadores propuseram o uso desse medicamento por via inalatória, o que poderia ter melhor ação contra o SARS-CoV-2, no entanto essa via de administração ainda precisa ser melhor estudada.

Na prevenção da COVID-19

Além da ivermectina estar sendo estudada como forma de tratamento da COVID-19, outros estudos têm sido feitos com o objetivo de verificar se o uso desse medicamento ajudaria a prevenir a infecção.

Um estudo realizado por pesquisadores dos Estados Unidos teve como objetivo investigar o porquê a COVID-19 tem incidências diferentes em vários países. Como resultado dessa investigação, verificaram que os países africanos tem menor incidência devido à realização de uso de medicamentos em massa, principalmente antiparasitários, incluindo a ivermectina, devido ao maior risco de parasitoses nesses países.

Assim, os pesquisadores acreditam que o uso da ivermectina poderia diminuir a taxa de replicação do vírus e prevenir o desenvolvimento de doença, porém esse resultado é apenas baseado em correlações, não tendo sido feitos ensaios clínicos.

Outro estudo relatou que o uso de nanopartículas associadas com a ivermectina poderia diminuir a expressão dos receptores presentes nas células humanas, o ACE2, que ligam-se ao vírus, e da proteína presente na superfície do vírus, diminuindo o risco de infecção. No entanto, são necessários mais estudos in vivo para comprovar o efeito, assim como estudos de toxicidade para verificar que o uso de nanopartículas com ivermectina é seguro.

Em relação ao uso de ivermectina de forma preventiva, ainda não existem estudos conclusivos. Porém, para que a ivermectina atue impedindo ou reduzindo a entrada de vírus nas células, é necessário que exista carga viral, pois assim é possível haver a ação antiviral do medicamento.

 

Fonte: Tua Saúde