Emocionante: Jovem tetraplégico é o 5º a se mexer após tratamento com polilaminina

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Diego Camargo

Durante décadas, a paralisia causada por lesões na medula espinhal foi tratada como uma sentença definitiva. Para milhões de pessoas ao redor do mundo, o diagnóstico significava o fim da possibilidade de movimento e autonomia. No Brasil, porém, uma linha de pesquisa vem questionando esse dogma e abrindo espaço para um novo horizonte na medicina regenerativa.

À frente desses estudos está a bióloga e pesquisadora Tatiana Coelho de Sampaio, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Há mais de 20 anos, ela investiga os mecanismos de regeneração do sistema nervoso central — um campo historicamente marcado por frustrações e limites considerados intransponíveis.

O trabalho resultou no desenvolvimento da polilaminina, uma molécula experimental criada a partir da laminina, proteína fundamental no desenvolvimento embrionário. Em condições naturais, essa proteína atua como guia para o crescimento e a conexão dos neurônios. Reproduzida em laboratório e reorganizada em uma nova estrutura molecular, a polilaminina apresentou resultados expressivos em testes experimentais.

Segundo os estudos conduzidos pelo grupo, a substância foi capaz de estimular a reconexão de circuitos nervosos danificados, promovendo respostas motoras em modelos com lesão medular. Os achados sugerem que o bloqueio à regeneração do sistema nervoso não é absoluto, como se acreditava, mas condicionado ao ambiente bioquímico ao redor das células nervosas.

A pesquisa ainda se encontra em fase experimental e não representa, por enquanto, um tratamento disponível. Ainda assim, os resultados colocam o Brasil no centro de um debate científico global e reacendem a esperança de que a paralisia possa deixar de ser um destino irreversível.

Mais do que um avanço técnico, o estudo propõe uma mudança de paradigma: a de que o sistema nervoso adulto pode, sim, recuperar parte de sua capacidade de reorganização — desde que receba os estímulos certos.

Um caminho longo ainda separa o laboratório da aplicação clínica. Mas, pela primeira vez em décadas, a ideia de devolver movimento a quem o perdeu deixou de ser apenas ficção científica para se tornar uma possibilidade concreta em investigação.